O Espetáculo de Dança pela organização da Cia Gente, com a criação de Paulo Emílio Azevedo, Intérpretes – criadores: Amanda Gouveia, Lucas Fonseca, Lucas Graça, Pedro H. Brum, Salasar Jr. e Zulu Gregório. Interpretes jovem e de sua maioria negra. Espetáculo apresentado no Teatro Cacilda Becker no penúltimo final de semana de outubro.
O Espetáculo usa da estética do desequilíbrio, como assim, em seu contexto de dança e corpo, como na estrutura narrativa que nos faz ter um olhar tóxico sobre o cotidiano da periferia, da mulher negra, dois estudantes de escola pública no Rio de Janeiro (que fica bem explicito no figurino usado), no LGBTQ+, no genocídio da população preta, entre outros assuntos abordados pelo espetáculo.
Ele é rico e bem experimental, você percebe que usa técnicas de repetições de passos, de desequilíbrio, do toque ao outro dançarino seja for o gênero, a voz do dançarino é ouvida, contrapondo a dança-teatro onde o dançarino interpreta também através de falas.
Percebe-se que o figurino simples e de cor preta, como se tivessem de luto. A única cena em que eles estão coloridos quando um dançarino está vestido de forma feminina no rosto com uma máscara de ar com cor florescente e outro dançarino também com roupas coloridas e com outra máscara em seu rosto e com microfone falando enquanto há um desfile. Essa fala não é positiva, é de forma pejorativa, e faz com que o outro dançarino se despir.A dança é construída de forma expressiva, a montagem do espetáculo não seguiu um estilo de dança especifico, ele experimentou varias vertentes da dança e isso nos mostra a pluralidade e ao mesmo tempo o corpo como uma ferramenta de emoção. O rosto dos dançarinos é muito caracterizado em cada cena e isso foi bem construído, nos mostrando o que cada cena quer nos dizer e corrobora também a estrutura que eles utilizam a voz em momentos do espetáculo que em momentos é de agonia, outras palavras de ordem, outras de desejo e de dor.
O espetáculo é rotativo, nem em todo momento fica seis interpretes nas cenas, isso torna as cenas mais construídas passando bem a sua mensagem naquela cena . A rotatividade também faz com que os seis se destaquem, visto que fica perceptível que a cada passagem um dançarino ganha destaque.
O espetáculo é rotativo, nem em todo momento fica seis interpretes nas cenas, isso torna as cenas mais construídas passando bem a sua mensagem naquela cena . A rotatividade também faz com que os seis se destaquem, visto que fica perceptível que a cada passagem um dançarino ganha destaque.
É brutal como final do espetáculo nos deixa arrepiado, dado que é uma cena que mostra a realidade do negro no Brasil. É colocado um trecho da música “A Carne” de Elza soares – “A Carne mais barata do mercado” e é repetido várias vezes, onde os dançarinos estão em grupo “urrando” e se mechem pelo espaço cênico e começam fazer gestos de medo, dor e depois riem, após o corpo da dançarina ser rechaçado como se não tivesse valor, seu corpo negro é jogado para fora do palco e assim se acaba. O espetáculo de dança Brutal é impactante em sua beleza técnica experimental de desequilíbrio, onde usam o corpo pra transpor o cotidiano tóxico que o povo periférico, principalmente o negro do Rio de Janeiro vive, e transborda através da dança e das vozes que ecoam os sentimentos que muitos gritam e não são ouvidas.
Ficha Técnica:
Criação: PAULO EMÍLIO AZEVEDO
Intérpretes-criadores: AMANDA GOUVÊIA, LUCAS FONSECA, LUCAS GRAÇAS, PEDRO H. BRUM, SALASAR JR. e ZULU GREGÓRIO
Assistente de direção: PAULA LOPES
Direção técnica: FILIPE ITAGIBA
Desenho de luz: CRISTIANO SILVA
Preparação corporal: JOÃO CARLOS SILVA
Produção: BEATRIZ TORRES
Serviço:
Brutal
SP - SESC - dias 15 e 16 de novembro
Tata Boeta
Graduando em Produção Cultura, roteirista, ator, diretor de teatro/performance, compositor, poeta e bailarino.




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